A escola filosófica do positivismo, tem ênfase na experiência sensorial como fundamento seguro do conhecimento humano com base nas leis naturais e na observação empírica. Em seu sentido mais amplo assegura que a realidade consiste essencialmente naquilo que os sentidos podem perceber e que a filosofia fica relegada à segundo plano nas descobertas da ciência, uma característica da disciplinaridade (HUGHES, 1983).
A ontologia positivista ou individualista é sustentada na tese de que um objeto ou qualquer objeto é um indivíduo ou um conjunto dos mesmos. Nesta linha, o todo não é caracterizado ou seja é constituido de partes sem propriedades emergentes e consequentemente é desprovido do conceito de Universo e particularmente das regras (BUNGE, 2009).
Repko (2009), descreve a disciplinaridade como uma ramificação do corpo do conhecimento como a física, química ou história. O mesmo autor afirma ainda que a linha delimitadora entre os campos do conhecimento disciplinar, está submergindo com a emergência da interdisciplinaridade.
Já o conceito de interdisciplinaridade, é oriundo do pensamento de uma ciência unificada, conhecimento geral, síntese e integração, defendido por Platão na filosofia como forma de unificação do conhecimento. Para Platão os filósofos eram indivíduos com a capacidade de sintetizar o conhecimento que quando de origem geral, tem propriedades imutáveis e atemporais devido a sua existência independente (KLEIN, 2009).
Possui características comuns com a epistemologia, como o estudo do conhecimento e tende a ser centrada em problemas e assuntos em que a disciplinaridade não consegue resolver. Sua aplicação nas ciências sociais ocorreu no início dos anos 1920 com o declínio das formas de educação, virando moeda de troca após a segunda guerra mundial (MORAN, 2009).
Bunge (2003), propõem como alternativa ao holismo e ao individualismo o sistemismo segundo o qual o sistema máximo é o universo. Descreve que os sistemas são caracterizados por suas propriedades emergentes, onde a desvantagem é que não existem: indivíduos isolados, o todo fragmentado e todos os elementos no mesmo nível de organização. A ontologia sistemica, envolve conceitos de emergencia, nível e sugere uma epistemologia sistemica envolvendo diferentes níveis de análise como a top-down e bottom-up.
REFERENCIAS
BUNGE, Mario. Emergence and Convergence: Qualitative Novelty and the Unity of Knowledge. Toronto: University Of Toronto Press, 2003. 330 p.
BUNGE, Mario. Ten Modes of Individualism—None of Which Works—And Their Alternatives. Bunge Philosophy of the Social Sciences. Disponível em:
HUGHES, John. The Philosophy of Social Research. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1983.
KLEIN, Julie Thompson. Interdisciplinarity: History, Theory, and Practice. Edition: 3 Published by Wayne State University Press, 1990 ISBN 0814320880, 9780814320884. Disponível em:
MORAN, Joe. Interdisciplinarity. Edition: reprint Published by Routledge, 2002 ISBN 041525132X, 9780415251327 207 pages. Disponível em:
REPKO, Allen F. Interdisciplinary Research: Process and Theory. Published by SAGE, 2008 ISBN 1412959152, 9781412959155 395 pages. Disponível em:

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